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A atuação histórica de Tandara e os erros táticos do Praia: Sesc é campeão da Copa do Brasil



Mais uma vez, eu digo: o Rio é o favorito da temporada, não só para a Copa do Brasil, como para a Superliga. Não é torcida, é histórico: a gente alia o histórico de Bernadinho e dessa comissão técnica à melhor atacante brasileira de todo o ciclo 17-20 e finalmente uma das levantadoras mais habilidosas do Brasil. O Rio tem uma fórmula difícil de ser batida.


Ninguém consegue derrubar táticas melhor do que o Praia e ontem pareceu que seria um desses times. As mineiras ganharam o primeiro set e tiveram vantagem em pelo menos outros dois, mas não conseguiram segurar. O jogo do Rio nem foi tão tático, mas individual: o passe sai e Fabíola procura Tandara. 40 pontos em 4 sets, recorde brasileiro e uma atuação individual impecável da oposta.

Mas as perguntas que ainda estou me fazendo sobre essa final são das táticas do Praia. Bernardinho percebeu que Peña não estava bem e sacou a dominicana do jogo, colocando Drussyla no sacrifício. Infelizmente a CBV não disponibilizou estatísticas da Copa para que eu dê os números exatos, mas o Praia bombardeou Amanda no saque. Qual é o sentido? Em qualquer situação neste time, Amanda é a ponteira de composição, a jogadora que vai ter mais obrigação de passar do que atacar. É assim no clube, é assim na seleção.


E olha que Natinha já havia sofrido no passe no terceiro set contra Bauru, mas o Praia deveria ter pensado em sacar em Drussyla, sem ritmo, voltando de lesão, sendo que já não é especialista no assunto. Isso sem contar que a ponteira não chegou sequer a 5 pontos nos quatro sets em que jogou. Mas Amanda foi caçada no saque e correspondeu, passando muito bem. Parece que só Carol percebeu que Drussyla era o melhor alvo, enquanto o resto do time continuou sacando em Amanda, que continuou entregando na mão. 


Do outro lado, Bernardinho caçou Laís. Adoro ela, cresceu muito, melhorou muito, mas não acho que ela é melhor do que a Suellen em nenhum ponto. Talvez Laís defenda melhor, mas não passa tão bem (sofreu e estourou vários saques cariocas ontem) e também não tem agilidade para fazer um bom levantamento. Não conseguiu encarar Tandara ali na paralela também. Sinceramente, eu prefiro Suellen.


E o Rio nem fez um jogo tão burocrático, nem um pouco heterogêneo. Repito: passe, levantamento, Tandara. Se eu tivesse uma jogadora de dois metros, eu colocaria ela na frente da oposta carioca. Um jogo fraco nas pontas, dos dois lados. Minha preocupação fica com Fernanda Garay, que vem jogando muito abaixo do seu potencial. Acho que faltou uma atacante que colaborasse com a atuação maravilhosa de Martinez e eu também teria arriscado mais tempo com Ananda... 


Por fim, percebi que o Praia respeitou muito o Rio. Era perceptível nas comemorações, a vibração carioca e as expressões sérias do Praia, que pareciam de concentração, mas eram tensão mesmo. O Rio não é um multi-campeão porque tem sempre os melhores elencos, mas porque sabe trabalhar contra os melhores elencos. E mais uma vez, fez isso. 

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